Pesquisas do Corpo Docente

Lista de Projetos de Pesquisa

Título do ProjetoCoordenadorOpções
A microfísica do poder nas estruturas informacionais: uma agenda de pesquisa-ação crítica sobre a Tecnologia da Informação e a comunidade, na perspectiva da Ciência da informação. Projeto de Exclusão Digital de Gênero na universidadeCristian Berrío ZapataAcessar
Estudos Críticos em Inclusão Digital: da brecha digital à apropriação tecnológicaCristian Berrío ZapataAcessar
A Arquivologia Pós-Custodial e o Paradigma da Internet das Coisas: competências, conceitos e utilização de Tecnologias de Informação e Comunicação no fazer arquivísticoFernando de Assis RodriguesAcessar
A dimensão teórica dos aspectos e perspectivas da Arquivística Pós-moderna: uma análise do contexto internacional da áreaGilberto Gomes CândidoAcessar
Memórias das lutas camponesas na Amazônia paraense: o acervo documental da comissão pastoral da terra (1975-2018)Iane Maria da Silva BatistaAcessar
Competência em informação e arquivologia: espectros e inter-relaçõesRenata Lira FurtadoAcessar
Lista de Projetos de Pesquisa dos docentes da Faculdade de Arquivologia.

A microfísica do poder nas estruturas informacionais: uma agenda de pesquisa-ação crítica sobre a Tecnologia da Informação e a comunidade, na perspectiva da Ciência da informação. Projeto de Exclusão Digital de Gênero na universidade

Fotografia de Cristian Berrío Zapata
Fotografia de Cristian Berrío Zapata

Cristian Berrío Zapata

berriozapata@ufpa.br

Currículo Lattes

O projeto busca formar pesquisadores com um agir crítico e de impacto sobre a construção e legitimação do discurso da Ciência da Informação, e a sua articulação com a Tecnologia Informática.

Para isso, se trabalha com em áreas que permitam entender e agir na ressignificação e reestruturação da microfísica do poder nas arquiteturas informacionais (estruturas de informação monopólicas, alienantes o geradoras de assimetrias de informação).

O alvo é entender estes fenômenos para visibilizá-los, e colaborar em criar autonomia e empoderamento comunitário baseados na gestão dos fluxos de informação. As áreas elegidas para o trabalho são:

  1. e-Governo na democratização e na área da saúde pública;
  2.  exclusão digital nos casos específicos da exclusão de gênero, e exclusão informacional nas comunidades de Economia Familiar Agrícola;
  3. A relação entre dados, informação e poder, por meio de uma Pedagogia Crítica (FREIRE, 1970, 1996) na Ciência da informação, por meio de estudos metateóricos (análise de domínio, bibliometria) desenvolvidos por meio de Pesquisa-Ação (FALS BORDA, 1990; FREIRE, 1982), para criar espaços em que estudantes, profissionais e pós-graduandos possam alavancar as comunidades que sofrem este tipo de problemas.

Nesta terceira área, o projeto visa trabalhar com a identificação da Exclusão Digital de Gênero nos cursos universitários, e como ela é reproduzida pelos estudantes.


Estudos Críticos em Inclusão Digital: da brecha digital à apropriação tecnológica

Fotografia de Cristian Berrío Zapata
Fotografia de Cristian Berrío Zapata

Cristian Berrío Zapata

berriozapata@ufpa.br

Currículo Lattes

Este projeto nasce dentro do escopo do projeto “A microfísica do poder nas estruturas informacionais: uma agenda de pesquisa-ação crítica sobre a Tecnologia da Informação e a comunidade, na perspectiva da Ciência da informação.”, aprovado no edital 02/2016 PRO-DOUTOR 2016 e com PORTARIA N° 029/2016 – CA/ICSA, e como continuação da pesquisa publicada no ano 2017 no livro “Exclusão Digital: discurso e poder sobre a Tecnologia de Informação”, da Editora Cultura Acadêmica da UNESP.

O projeto visa identificar, pesquisar e entender fenômenos de exclusão digital para compreender melhor os mecanismos de apropriação da tecnologia da informação, e evoluir assim da perspectiva da “divisa digital” (dominante na década de 2000) para uma perspectiva crítica de apropriação de tecnologia.


A Arquivologia Pós-Custodial e o Paradigma da Internet das Coisas: competências, conceitos e utilização de Tecnologias de Informação e Comunicação no fazer arquivístico

Fotografia de Fernando de Assis Rodrigues
Fotografia de Fernando de Assis Rodrigues

Fernando de Assis Rodrigues

deassis@ufpa.br

Currículo Lattes

O objetivo do projeto de pesquisa é formar um arcabouço teórico, de cunho experimental, sobre conceitos relacionados ao desenvolvimento de competências em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) voltadas ao paradigma da Internet das Coisas (Internet of Things – IoT) que podem ser apropriadas no fazer arquivístico, especialmente nos temas de integração entre o controle ambiental de espaços do arquivo, a gestão de documentos e a elaboração de instrumentos de pesquisa.

Em um segundo momento, os conceitos serão aplicados por meio de Pesquisa-ação na comunidade arquivística, em especial na exposição teórico-prática das competências e conceitos identificados para a comunidade científica, como o apoio de aulas, debates e atividades, com enfoque especial aos discentes do curso de graduação em Arquivologia da Universidade Federal do Pará – UFPA. Como grupo de controle, se pretende utilizar as audiências presentes em congressos e eventos a serem realizados na universidade, nos anos de de-corrimento da pesquisa.


A dimensão teórica dos aspectos e perspectivas da Arquivística Pós-moderna: uma análise do contexto internacional da área

Fotografia de Gilberto Gomes Cândido
Fotografia de Gilberto Gomes Cândido

Gilberto Gomes Cândido

ggcandido@ufpa.br

Currículo Lattes

O termo Arquivística Pós-Moderna (Postmodern archival) advém dos estudos teóricos de Terry Cook (1994: 1997; 1998) apresentado durante a década de 1990, cujo intuito buscava proporcionar ponderações sobre os aspectos positivistas, onde se evidenciava a concepção de neutralidade e passividade sobre a técnica empregada.

Logo objetiva-se assim identificar os aspectos e perspectivas teóricas da Arquivística Pós-Moderna na literatura científica internacional da área. Para tanto, irá se utilizar-se da metodologia Análise de Domínio sobre a visão da Arquivística Pós-Moderna na literatura científica internacional da área, no qual a sua utilização permitirá observar e identificar as circunstâncias pelas quais as concepções dessa comunidade discursiva se constrói e se socializa, além de auxiliar para que seja possível perceber as suas tendências e padrões (HJØRLAND; ALBRECHTSEN, 1995; DANUELLO, 2007; GUIMARÃES, 2015; GUIMARÃES et al, 2017;).

Com isso será possível delinear as perspectivas das pesquisas internacionais nessa área, relativizando os autores e instituições, bem como suas interlocuções e a sua preponderância para área em questão.


Memórias das lutas camponesas na Amazônia paraense: o acervo documental da comissão pastoral da terra (1975-2018)

Fotografia de Iane Maria da Silva Batista
Fotografia de Iane Maria da Silva Batista

Iane Maria da Silva Batista

iane@ufpa.br

Currículo Lattes

Uma das mais significativas questões inseridas recentemente nas reflexões do campo científico arquivístico é a discussão da salvaguarda da memória social e as relações de poder dela emanadas (Cook, 2012, Cook, 2004, Cook; Schwartz, 2002). Durante muito tempo os arquivos foram entendidos como “guardiões” neutros e impessoais de memórias homogêneas, supostamente representativas de uma identidade coletiva.

A partir da perspectiva da Arquivística pós-custodial, emergente em fins do século XX, os arquivos começaram a ser problematizados como ferramentas de hegemonia ou de resistência, recursos a serem apropriados/manipulados por disputas políticas e narrativas as mais diversas.

Nesse contexto, o caráter presumidamente “natural” do processo de formação de fundos documentais foi desnaturalizado em face de evidências, baseadas em técnicas da Diplomática, de que arquivos, em distintos contextos históricos, foram coligidos e frequentemente reconstruídos não apenas para conservar os registros de transações legais como também para servir a propósitos históricos, religiosos, simbólicos e/ou militares, envolvendo personagens e eventos considerados merecedores de celebração ou de memorialização (COOK, 2012).

A dimensão do poder dos arquivos sobre a construção do conhecimento histórico, na formação de identidades e de memórias bem como na produção de silêncios e esquecimentos é explicitada na não inclusão sistemática de diversos segmentos sociais como mulheres, povos indígenas, comunidades quilombolas, camponeses, homossexuais, minorias étnicas, entre outros, nos instrumentos e instituições de memória documental da sociedade. No último quartel do século XX, especialmente a partir do contexto brasileiro de resistência à ditadura civil-militar, assistiu-se ao desenvolvimento de experiências de formação de acervos por organizações da sociedade civil representativas de grupos historicamente “marginalizados pelo empreendimento arquivístico” (COOK, 1998).

A concepção do acervo documental da Comissão Pastoral da Terra (CPT) emerge nessa conjuntura. Fundada em junho de 1975, no âmbito da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a instituição surgiu como “resposta à grave situação vivida pelos trabalhadores rurais, posseiros e peões, sobretudo na Amazônia, explorados em seu trabalho, submetidos a condições análogas ao trabalho escravo e expulsos das terras que ocupavam” (CPT, 2018).

A realidade que motivou a criação da CPT refletia o acompanhamento das contradições e antagonismos que marcaram as ações governamentais planejadas para a região amazônica pelos governos civis-militares, especialmente no que se refere à ocupação das terras num processo iniciado na década de 1960 e intensificado nas décadas seguintes.

O desconhecimento da região e de seus centenários ocupantes e a ausência de democracia provocou superposições de ocupação e posse, gerando graves ocorrências de conflitos entre os antigos ocupantes e os recém-chegados, fossem estes empresários do centro-sul e sudeste do país ou famílias “sem terra” do Nordeste. Os embates políticos e jurídicos resultantes desse processo foram marcados sobretudo pela violência contra camponeses, posseiros, peões e indígenas.

A instalação de grandes obras de infraestrutura como rodovias, hidrelétricas, projetos de mineração e serrarias ampliou a ação repressora de agentes públicos e privados sobre aqueles grupos, implicando em graves violações de direitos, em especial no que concerne ao direito a terra, culminando em expulsões, ameaças, prisões e assassinatos.

Por outro lado, engendrou ações de resistência e de múltiplas formas de luta que foram apoiadas e documentadas por religiosos e leigos atuantes junto a CPT. Segundo avaliações expressas em documentos da Igreja, por ter uma “cobertura institucional”, a CPT propiciou a visibilidade política dos conflitos fundiários, passando a ser um canal sistemático de registros e denúncias envolvendo esta questão (CPT, 2006).

Para reforçar a luta pelos direitos, o órgão criou um setor de documentação em sua sede em Goiânia, o Centro de Documentação Dom Tomás Balduíno, registrando os conflitos envolvendo os homens e as mulheres do campo e a violência por eles sofrida. À medida que a CPT foi expandindo sua atuação pelo país com a criação de sedes regionais, estas gradativamente também foram constituindo seus arquivos, a exemplo do acervo documental produzido e custodiado pela CPT regional sediada em Belém, que há mais de quatro décadas vem documentando as lutas pela terra no Estado do Pará.

Com base na perspectiva arquivística pós-custodial, compreende-se o Arquivo da CPT Belém como um “lugar de memória” que se contrapõe à escrita hegemônica da história recente da Amazônia, baseada em documentos “oficiais” produzidos e custodiados na esfera de instituições estatais e empresariais, como Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), Banco da Amazônia (BASA), Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), Federação da Agricultura e Pecuária no Pará (FAEPA), União Democrática Ruralista (UDR), Tribunal de Justiça do Estado (TJE) entre outros.

A documentação produzida por tais órgãos, no contexto do planejamento e execução do projeto político de colonização da Amazônia a partir da segunda metade do século XX, silenciou e silencia sobre as contradições históricas desse processo, bem como de seus trágicos impactos socioambientais sobre comunidades camponesas, indígenas e quilombolas ao mesmo tempo em que tem sido agente da invisibilização dessas populações. Com efeito, conforme constatado em pesquisa recente por Batista (2016), os mapas produzidos a partir das pesquisas efetuadas no contexto do Projeto Radares da Amazônia (RADAM), em uma área de aproximadamente 4.600.000 km², ao indicar as melhores áreas aos interessados em “investir” na região, desconsideraram completamente a presença de populações de ocupação antiga, especialmente indígenas, sequer mencionados. Tais mapas, que vieram a compor o acervo da SUDAM, dessocializavam o território, em consonância com a retórica governamental dos “espaços vazios” que orientou as chamadas políticas de integração e desenvolvimento da Amazônia.

As diversas representações cartográficas produzidas no âmbito das instituições planejadoras e executoras das políticas projetadas para a região apresentavam-na, pois, como um espaço fundamentalmente provedor de matérias primas a serem apropriadas e exploradas em escala, estático, uniforme e vazio, sem gente e sem história.

É significativa, nesse sentido, a ausência dos seres humanos não apenas dos mapas produzidos no contexto do Projeto RADAM, mas de outros tipos documentais elaborados nas esferas estatais em geral (BATISTA, 2016). Por sua vez, a imensa massa documental custodiada no acervo da CPT Belém evidencia a existência e a resistência das populações amazônicas marginalizadas/invisibilizadas nos documentos oficiais. O acervo revela homens e mulheres protagonizando lutas coletivas por direitos: direito à terra invadida por grileiros armados, direito à água, represada para a construção de hidrelétricas, direito à liberdade, tolhida pelas condições de trabalho análogo à escravidão; direito a um meio ambiente sadio diante de impactos ambientais de toda ordem, destruidores de modos de vida preexistentes distintos da lógica econômica predatória de apropriação e uso dos recursos naturais norteadora das políticas governamentais executadas na Amazônia (BATISTA, 2016; CPT, 2016).

A seleção de determinados documentos, em detrimento de outros, para compor os acervos permanentes das instituições arquivísticas relaciona-se intrinsecamente ao empenho das sociedades em legar ao futuro determinadas imagens de si mesma (POLAK, 1989; LE GOFF, 1996). Porém, como enfatizado por Araújo; Santos (2007, p. 99), a determinação do que vai ser preservado e, portanto, lembrado, está vinculado àqueles que detêm o poder, pois “são eles que decidem quais narrativas deverão ser lembradas, preservadas e divulgadas”. Instituições arquivísticas oficiais, a exemplo dos denominados arquivos públicos, são resultado dos contextos sociais de sua produção, geralmente vinculados ao atendimento de demandas administrativas dos órgãos públicos e à necessidade de construção de identidades coletivas, especialmente a identidade nacional.

Nesse sentido, não lhes convêm a salvaguarda de documentos de grupos opositores ao regime político vigente ou de minorias étnicas que porventura possam subverter a narrativa de uma identidade coletiva homogênea. No que se refere à Amazônia, em particular, certamente aos agentes e agências de poder não interessa o registro de grupos sociais cujas demandas e ações ameaçam o status quo. Não por acaso, em diversas ocasiões, arquivos têm sido literalmente queimados na região, principalmente nas áreas mais conflagradas pelos conflitos fundiários no sul e sudeste do Pará. Embora o Acervo da CPT em Belém custodie uma rica documentação, alusiva a memória de mais de quatro décadas das lutas camponesas na/da Amazônia, o conhecimento de sua existência e, por conseguinte, o acesso a seus fundos documentais, ainda é bastante limitado, circunscrito a pesquisadores dos movimentos sociais, especialmente os ligados às Ciências Humanas.

Por outro lado, conforme constatado em visita técnica recentemente efetuada ao local junto a alunos do Curso de Arquivologia, embora siga uma lógica interna de organização, a gestão do acervo, desde sua concepção, não tem sido orientada por preceitos técnicos arquivísticos, que poderiam assegurar uma melhor organização, acesso e divulgação e, principalmente, preservação do acervo. Isto é motivado por uma série de razões, mas principalmente devido a carência de recursos humanos, materiais e financeiros. Diante dessas considerações, este projeto se propõe a realizar uma análise histórico-arquivística do acervo documental da CPT/Belém, a partir da interpretação dos processos históricos que levaram ao seu surgimento e da identificação das especificidades dos documentos custodiados, dos critérios utilizados na sua organização, bem como das lacunas existentes na gestão documental, com o objetivo de subsidiar a elaboração de instrumentos de pesquisa para sistematização do acesso, consulta, divulgação e preservação do referido acervo.

Na terminologia arquivística, o instrumento de pesquisa é o meio – catálogo, índice, guia, inventário, listagem descritiva do acervo entre outros – que, por meio da descrição, permite a identificação, localização ou consulta a documentos ou a informações neles contidas, propiciando maior eficiência e racionalidade na gestão dos acervos. A descrição, segundo Berwanger e Leal (2008), é o elo de comunicação entre o documento e o usuário. Por certo, é a operação descritiva, norteadora dos instrumentos de pesquisa, que “conduzirá” o usuário até a documentação pertinente. Geofrey Yeo (2016) ressalta que, para além de garantir a acessibilidade, os produtos descritivos atuam como ferramentas de gestão de conjuntos documentais, constituindo verdadeiros inventários cuja função é impedir possíveis perdas ou extravios, cumprindo, ainda, um papel de preservação ao reduzirem o manuseio dos documentos originais.

O estudo será norteado pela perspectiva das discussões teórico-conceituais contemporâneas da Arquivística e das ciências sociais que têm procurado desvelar a relação entre interesses políticos e econômicos dominantes e a formação e gestão dos acervos (LE GOFF, 1996; POLLAK, 1989; COOK, 2012; HEDSTROM, 2015; ARAÚJO; SANTOS, 2007; PORTELLI, 2016). Ao problematizar o papel dos arquivos “oficiais” na produção de memórias, silêncios e esquecimentos, essa perspectiva analítica critica a ideia da objetividade do documento presente nas concepções arquivísticas e historiográficas tradicionais, enfatiza o caráter seletivo da memória e das narrativas (RICOEUR, 2007) bem como as tensões, conflitos e disputas que permeiam a formação de acervos.

Ao debruçar-se sobre o acervo documental da CPT, que registra as experiências de “vidas arrancadas, sangradas, escravizadas” (Pe. Paulo Joanil, informação verbal, 2018), busca-se contribuir com a disseminação do conhecimento e a valorização dessas chamadas “memórias subterrâneas”, alusivas a diferentes grupos sociais historicamente excluídos e ocultados na história oficial do país em geral e da Amazônia, em particular.


Competência em informação e arquivologia: espectros e inter-relações

Fotografia de Renata Lira Furtado
Fotografia de Renata Lira Furtado

Renata Lira Furtado

renatalira@ufpa.br

Currículo Lattes

O projeto de pesquisa enfoca os estudos teóricos e metodológicos relacionados à Competência em Informação (CoInfo) aplicados à Arquivologia e à profissão do Arquivista, considerando que estes representam um ambiente de inserção dos preceitos da CoInfo, tendo em vista a relevância da área no contexto da informação e sua representatividade na sociedade e a aquisição de elementos que possibilitem o desenvolvimento de habilidades que serão válidas tanto no âmbito pessoal, como no âmbito profissional em relação às atividades desempenhadas e que refletem diretamente no Arquivo enquanto instituição social.

Cabe destacar que a Competência em Informação permeia os processos de aprendizado, investigação, criação, tomada de decisão e resolução de problemas, estando intimamente relacionada ao processo de emancipação humana tendo em vista a mobilização de conhecimentos, habilidades e atitudes relacionadas ao universo da informação, incluindo a capacidade de leitura e escrita, busca e uso da informação, organização e manipulação de dados visando à produção de novas informações e conhecimentos, sua disseminação e preservação para o reúso, aspectos esses que possibilitaram estabelecer distintas inter-relações com a ciência arquivística:

  1. Competência em Informação e aprendizagem no contexto arquivístico: a CoInfo atua como uma ferramenta essencial para o desenvolvimento do arquivista no cenário nacional, aprimorando e capacitando a compreensão crítica do sujeito com relação à informação, juntamente com o desenvolvimento e o progresso da Arquivologia no contexto brasileiro. Destaca-se nesse cenário o papel da Universidade, enquanto instrumento social constituído por pessoas (corpo docente, discente e técnico), em desenvolver e consolidar programas e ações que possibilitem a apropriação e a vivência dos preceitos da Competência em Informação, contribuindo para o crescimento pessoal e profissional na formação do arquivista, com resultados que ultrapassam o âmbito universitário;
  2. Competência em Informação e o fazer arquivístico: as atividades que envolvem o planejamento e a implantação de programas de gestão de documentos tanto físico como digitais, junto com as demais atividades prioritárias da Gestão documental, bem como outras atividades que compõem o métier do arquivista contemporâneo, apresentam elementos que corroboram com os preceitos da CoInfo, indicando ao profissional a necessidade de desenvolvimento de habilidades específicas e aquisição da consciência sobre as diferentes formas de experimentar o uso da informação através do envolvimento em reflexões e práticas informacionais relevantes na resolução de situações da vida profissional, acadêmica e cotidiana;
  3. Competência em Informação e os fenômenos informacionais no contexto arquivístico: o acesso à informação configura-se como uma das principais atribuições da Arquivologia, assim, discussões em torno dos processos que o circundam se mostram relevantes num contexto que abarca elementos como, a formação do pensamento crítico, a criatividade, a ética e a autonomia na produção, gerenciamento, disseminação e preservação da informação e do conhecimento, especificamente quando associada à recursos tecnológicos de informação e comunicação, ambiente propício para a ocorrência de fenômenos informacionais como Post-Truth e os fenômenos decorrentes Disinformation, Misinformation e Fake News, que interferem negativamente na qualidade da informação , nos processos de construção do conhecimento e preservação da memória social.